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Notícias/Destaque01/09/2026· Local

A arte foi a primeira religião que conheci” Fábio de Melo:

Antes mesmo de compreender o universo do cristianimo, Fábio de Melo já encontrava na arte uma forma de experimentar a beleza e dar sentido ao que sentia. Em entrevista à jornalista Maria Fortuna, do jornal O Globo, o padre afirmou que “a arte foi a primeira religião” que conheceu e defendeu que a experiência espiritual não está restrita às músicas compostas para igrejas ou momentos de oração.

 

“A arte foi a primeira religião que eu conheci. Muito antes de ser um adepto de Jesus, eu fui um adepto da beleza”, afirmou. Segundo ele, essa relação começou ainda na infância, quando acompanhava a mãe a uma igreja barroca e se encantava com os detalhes dos altares. Anos depois, ele passou a compreender aquele contato com a beleza como parte de sua experiência religiosa. “Tudo aquilo para mim era uma linguagem que eu já sabia entender.”

 

Essa percepção também ajuda a explicar a presença da música popular brasileira em seu repertório. Fábio de Melo contou que enfrentou críticas no início por interpretar nomes como Gonzaguinha e Luiz Gonzaga. Para ele, no entanto, uma canção não precisa ter sido escrita para o culto para despertar reflexões ligadas à fé. “Eu não tenho nenhuma pretensão a vir acreditar que a música religiosa é somente aquela que a gente compõe para cantar dentro da igreja ou nos momentos de oraçResgate também questiona fronteiras na música cristã

A compreensão defendida por Fábio de Melo encontra paralelo em uma discussão levantada pelos integrantes da banda Resgate. Em participação no podcast Entrando na Mente, Zé Bruno e Hamilton questionaram a divisão entre música cristã e música secular e defenderam que a fé de quem produz arte não precisa determinar um único estilo musical. Ao recordar o início da banda, Zé Bruno contou que o grupo ouvia nomes como Deep Purple e Van Halen, referências que fizeram parte de sua formação musical mesmo quando o rock cristão ainda tinha pouco espaço no BrasiO padre explicou que reconhece uma experiência espiritual quando uma obra consegue traduzir sentimentos para os quais ele próprio não encontra palavras. “Quando fico diante de uma letra que tem o poder de alçar dentro de mim aquilo que eu não sei dizer, eu fiz uma experiência religiosa.” Foi também pela beleza, segundo ele, que sua relação com o cristianismo ganhou novos contornos. Ao conhecer Jesus, afirmou ter encontrado qualidades que já admirava por meio da arte.

 

Durante a entrevista, Fábio de Melo também questionou a ideia de que espiritualidade e participação em instituições religiosas sejam necessariamente a mesma coisa. “A espiritualidade não é prisioneira das religiões”, declarou. Em sua compreensão, ela está relacionada ao que ajuda o ser humano a entender quem é e a desenvolver respeito pelo outro.

 

O que diz a bíblia

A relação entre fé, beleza e capacidade artística encontra referências nas Escrituras. Em Êxodo 35, versículos 30 a 35, Bezalel é descrito como alguém capacitado por Deus com habilidade, inteligência e conhecimento para realizar trabalhos artísticos destinados ao tabernáculo. Já em Filipenses 4, versículo 8, Paulo orienta os cristãos a ocuparem o pensamento com aquilo que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável e digno de louvor. Embora as passagens não tratem especificamente de gêneros musicais nem estabeleçam que toda experiência artística seja religiosa, elas mostram que beleza, criatividade e aquilo que alimenta o pensamento também encontram espaço na experiência bíblica dPara Zé Bruno, o cristão não precisa se afastar da produção cultural que existe fora do ambiente religioso para preservar sua fé. “Santidade não é a separação. É a consciência de saber onde se manter assim”, afirmou. O músico também questionou a ideia de que determinados espaços, linguagens ou estilos pertençam exclusivamente ao universo secular. Na avaliação dele, talento e criatividade não estão restritos à música produzida dentro das igrejas.

 

A reflexão se aproxima da fala de Fábio de Melo justamente ao deslocar a discussão do rótulo da música para aquilo que ela comunica. Zé Bruno defende que musicalidade, talento e inspiração fazem parte do ato de criar e reconhece que uma obra pode estar a serviço da fé sem precisar ser limitada por uma classificação religiosa. Ao mesmo tempo, estabelece um limite para essa liberdade ao afirmar que não colocaria sua arte a serviço de algo contrário às suas convicções cristãs.

Fonte Comunhão.

Fonte: wp:net3gospel.com.br:54378